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Nerds que adoram Café

Mariano nos conta que o café processado no Brasil por volta da década de 30, utilizava muito os tanques de fermentação. ”Basicamente, era o padrão”, conta. Quando os produtores passaram a prezar pela quantidade ao invés da qualidade, a Colômbia, sabiamente, ficou com essa demanda de café diferenciado.

“Com esses tanques de fermentação nós apenas estamos retomando uma tradição que era brasileira. Estamos fazendo a mesma coisa de antigamente, só que com novos parâmetros. Empregamos  químicos, biólogos e biologistas. Nosso biólogo, Caio Hilário, é microbiologista e estuda nossa lavoura. Também trabalhamos com oito fazendas no entorno da nossa região, ajudando na colheita e fazenda a torra”, explica.

Compraram um torrador pequeno, de 200 gramas, e começaram as experiências de torra. Mandavam para os amigos provarem e dizerem o que achavam. Esses amigos trouxeram outros amigos, alguns proprietários de restaurantes, e aí a história começou a mudar.

Criaram a marca Martins Café, principalmente porque achavam que precisavam fazer muitas coisas além da fazenda. Mariano sonhava em ser um grande produtor de café da região. Fabíola sempre achou que era preciso ter uma operação além da produção de cafés especiais, já que, por ser uma produção pequena, só conseguiriam fechar no azul se conseguissem se diferenciar.  “Nos cafés especiais, ganhar na diferenciação é criar a diferenciação,” explica Fabíola.

“Quando entramos com a marca, estávamos trabalhando com cafés de pontuação de 70 pontos. Achávamos que o nosso café ia ser gourmet. Mas, conforme o Mariano ia trabalhando com a fermentação, a pontuação mudava semanalmente. Na época, não sabíamos pontuar, levávamos para o sindicato. Até que um dia, o café pontuou 80. Isso foi o começo da nossa produção de cafés especiais’, relembra  Fabíola.

Todo esse processo começou no final de 2008 e durou três anos. Nesse tempo, viveram da poupança da Fabíola. Mas já em 2011, tiveram uma safra muito boa e conseguiram exportar 70% dos cafés.

O primeiro comprador fora do Brasil foi o Guillermo Morán, de El Salvador, proprietário de uma torrefação na Califórnia e fornecedor de cafés para a sede da Apple, mas ainda não era um café especial.

“Os primeiros lotes de café especial que vendemos foi para a Chromatic Roasters, dos EUA. Foi a primeira vez que vimos uma avaliação do nosso café  feita por um comprador. Em 2013, avaliaram nosso café com uma pontuação de 93”, relembram.

Na sequência, tiveram boas safras e conseguiram pagar grande parte da dívida que contraíram. O fluxo de produção da fazenda estava melhorando, mas só ser uma fazenda referência em um universo tão grande como o do café especial não era suficiente pra eles. “Pensamos em participar dos concursos de café para compartilhar nossos conhecimentos, já que uma andorinha só não faz verão. Porém,  percebemos que o nosso café fermentado caminhava fora do circuito. Só existiam cafés doces, achocolatados. Nosso café era entendido pelas pessoas de fora, mas não pelos brasileiros na época”, conta Fabi.

“Naquele ano assumimos que iríamos montar uma torrefação com o nosso perfil para ser vendido para o mercado interno. Como a gente só entendia de fazenda e nada de empreendedorismo, decidimos que um de nós iria ter que fazer um MBA. Acabei perdendo uma aposta e lá fui eu novamente para fora, dessa vez para os EUA, cursar Harvard, por dois anos”, lembra.

Copiei e colei de uma matéria o texto para dar volume hahaha

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